17 de fevereiro de 2014

Today.


O teu Nome guarda todas as Letras. Não o sabes, nunca o confessei. Prometi-me não o fazer e as únicas promessas que quebro são as que faço a mim mesmo. Mas o teu Nome guarda todas as letras. Chamar-te é chamar todas as coisas. A cidade. A noite. A casa. As paredes. O Mundo. 

Repara: guardo o corpo despido em cima da cama. Desmantelado. Vende-o por partes. Para peças. Bate na porta das Lojas, das Oficinas, das Sucatas. Veste o teu fato de domingo, arranja as unhas, despe as nódoas, soma-me a um catálogo, leva-me em uma mala e apregoa-me. Vende-me, porque ambos sabemos que esta mecânica nunca foi funcional. Não quando ausente engasgas, em surdina, tudo aquilo que sei como batimento cardíaco. Mas guarda as minhas mãos, sei que as gostas. Esta minha Cal. Guarda-as, embrulhadas em papel químico, para quando necessitares de limar as unhas pela minha epiderme. 

No meio disto tudo aprendi a parar o tempo. Parei-o em ti. Parei-o no início de ti. Onde és feita de pedra e rasgas o meu sono e levas-me para a insónia. Onde sei-me sem bússola. Onde o Norte e o Sul se confundem na malicia de te respirar. Onde o sentimento é em primeira instância jovem e sereno para depois metamorfosear-se em abismo avermelhado sem cordas ou apoios. Onde és. Simplesmente és. 

Pinto, em amarelo pálido, o teu Nome na face de todas as noites. O Mundo precisa de saber que sem as tuas letras não existem janelas onde ele é paisagem. E por fim, o receio é apenas uma desculpa vazia, repetida em sussurro, para esquecer que o coração dispara como uma bala, no não gostar fininho de ter uma alma revólver, porque não é pólvora que queima, mas sim, a possibilidade de Vida. 

(A)guardo-te 



- Ficas comigo para Sempre? 


Sempre? Não.  Sempre é pouco. Sempre sabe a muito pouco. Sempre tem fim. E eu quero mais. Muito mais que Sempre.